Diante da ameaça cada vez maior dos drones kamikazes, a Airbus acaba de apresentar sua resposta mais avançada: o Bird of Prey, um interceptador 100% autônomo capaz de perseguir alvos sozinho.
A Europa vive uma nova corrida por capacidade militar. Desde a invasão russa da Ucrânia, em 2022, e a escalada no Oriente Médio neste ano, os países têm buscado ampliar de forma acelerada seus meios de defesa, sobretudo diante da proliferação dos drones kamikazes. Esses equipamentos, baratos de produzir, são programados para voar em direção ao alvo e explodir no impacto. Isso vem mudando profundamente a guerra contemporânea, pois torna muitos sistemas tradicionais menos eficazes para barrar ameaças numerosas, rápidas e difíceis de prever.
Foi nesse contexto que a Airbus deu um passo decisivo. Na segunda-feira, 30 de março, o grupo industrial anunciou o primeiro voo de demonstração bem-sucedido de seu drone interceptador autônomo, o Bird of Prey, desenvolvido em parceria com a startup de defesa Frankenburg Technologies. “Defender-se contra drones kamikazes é uma prioridade tática que precisa ser tratada com urgência”, afirmou Mike Schoellhorn, presidente-executivo da Airbus Defence and Space. Trata-se de uma avaliação compartilhada por praticamente todos os comandos militares europeus.
Bird of Prey: o drone interceptador autônomo da Airbus
O Bird of Prey é um drone de combate sem piloto, baseado em uma plataforma já existente da Airbus, o Do-DT25. O protótipo mede 3,1 metros de comprimento, tem 2,5 metros de envergadura e pesa 160 quilos na decolagem. No teste realizado, ele transportava quatro mísseis ar-ar Mark I. Já a versão operacional deverá levar até oito.
Esses projéteis são o elemento central do sistema: cada um pesa no máximo 2 quilos e mede apenas 65 centímetros, o que faz deles os interceptadores guiados mais leves já desenvolvidos. Depois do disparo, eles operam de forma autônoma no modo “dispare e esqueça”, sem necessidade de controle contínuo por parte do operador. Seu alcance chega a 1,5 quilômetro, e a ogiva de fragmentação foi projetada para neutralizar o alvo a curta distância, sem exigir impacto direto.
No ensaio, feito em um campo de treinamento militar no norte da Alemanha, o Bird of Prey atuou de maneira inteiramente autônoma. O sistema detectou, identificou e classificou um drone kamikaze de porte médio antes de engajá-lo com um míssil Mark I - tudo isso sem intervenção humana. A demonstração evidencia a capacidade da plataforma de reagir rapidamente em um cenário complexo e, acima de tudo, com baixo custo. “Estamos criando uma nova curva de custo para a defesa aérea”, prometeu Kusti Salm, diretor-executivo da Frankenburg Technologies.
Outro ponto relevante é que o Bird of Prey foi concebido para se integrar à arquitetura da OTAN por meio do sistema integrado de gestão de combate da Airbus, o que ampliaria sua utilidade como complemento às defesas já existentes. Na prática, isso permite que o drone opere dentro de uma camada mais ampla de defesa antiaérea, ao lado de sensores, radares e sistemas de resposta rápida já em campo. Airbus e Frankenburg pretendem realizar novos testes com ogiva real até o fim de 2026, antes de apresentar a solução a potenciais clientes militares.
A aposta da empresa também dialoga com uma necessidade crescente das forças armadas: enfrentar enxames de drones sem consumir munição cara em excesso. Nesse tipo de ameaça, a lógica deixa de ser apenas a destruição do alvo e passa a incluir custo, velocidade de reação e autonomia operacional. É justamente aí que o Bird of Prey tenta se destacar, oferecendo uma resposta escalável para um problema que vem se tornando central nos conflitos atuais.
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