Diante da falta de chips de memória, a Apple voltaria a considerar novamente a possibilidade de adquirir NAND da chinesa YMTC. Em 2022, a empresa havia entrado em uma lista de entidades sancionadas pelos Estados Unidos.
Há alguns anos, a Apple chegou a estudar o uso dos chips de memória NAND produzidos pela YMTC. No entanto, segundo uma reportagem da Nikkei publicada em 2022, esse plano teria sido deixado de lado depois que o fornecedor passou a integrar a lista de companhias sancionadas pelos EUA. Agora, porém, a escassez que afeta o setor de tecnologia pode levar a fabricante de Cupertino a reavaliar essa alternativa. Vale lembrar que a falta de componentes está ligada à forte demanda por chips para os novos centros de dados de inteligência artificial. E o problema não compromete apenas o acesso dos fabricantes de eletrônicos às memórias RAM, mas também a disponibilidade de chips NAND para armazenamento.
Em fevereiro, o site Wccftech já havia publicado um rumor de que a Apple estaria avaliando os riscos de recorrer a chips de memória fabricados pela YMTC para atender à demanda dos seus clientes. Mais recentemente, o Nikkei reforçou essa informação ao afirmar que a YMTC, também conhecida como Yangtze Memory, teria tecnologias próximas às dos principais fornecedores do setor.
Apple reconhece a alta dos preços da memória
Os analistas concordam que, nesta crise dos chips de memória, as grandes empresas como a Apple tendem a ter uma posição mais favorável. Isso acontece porque elas possuem mais poder de negociação com os fornecedores e contam com margens maiores para absorver o impacto sem repassar imediatamente a alta para os consumidores.
Na apresentação dos resultados trimestrais mais recentes da Apple, em janeiro, Tim Cook afirmou que a escassez teve efeito “mínimo” no trimestre anterior e que a influência no período em andamento seria “um pouco maior”.
Ainda assim, o CEO da Apple mencionou uma “forte alta nos preços da memória no mercado” e declarou que a empresa vai analisar “diversas alternativas para lidar com isso”.
E se a saída vier do Google?
Infelizmente, a escassez de chips de memória pode continuar por bastante tempo. Mesmo assim, existe a possibilidade de que um avanço tecnológico do Google ajude a reduzir a pressão sobre a demanda global. Em março, pesquisadores da empresa de Mountain View apresentaram uma nova tecnologia de compressão chamada TurboQuant, que poderia cortar em até seis vezes a quantidade de memória necessária para executar grandes modelos de linguagem, segundo explicação da CNBC.
O anúncio, inclusive, repercutiu no mercado acionário e afetou as ações da SK Hynix e da Samsung, duas das maiores fornecedoras de chips de memória. De acordo com o que foi divulgado após a novidade do Google, há cerca de uma semana, os papéis das duas companhias teriam recuado 6% e 5%, respectivamente.
Esse movimento mostra como qualquer mudança na demanda por memória, especialmente no universo da inteligência artificial, pode mexer rapidamente com toda a cadeia de suprimentos. Para empresas como a Apple, o cenário reforça a importância de diversificar fornecedores e manter opções abertas em um mercado cada vez mais pressionado.
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