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Bloqueio de preços na grande distribuição e IVA reduzido: proposta aprovada na Assembleia Nacional

Mulher com cesta e lista, escolhe produto em prateleira de supermercado, com casal ao fundo falando.

Essa previsão, porém, está longe de reunir consenso entre os deputados.

O que foi aprovado na quinta-feira, 20 de novembro, em primeira leitura pela Assembleia Nacional foi uma medida de grande impacto político, embora talvez sem efeito prático imediato para os consumidores franceses: o bloqueio dos preços na grande distribuição e a redução da alíquota de IVA sobre os produtos de primeira necessidade.

Segundo a BFM, a iniciativa tinha o apoio da esquerda, sobretudo da França Insubmissa, enquanto governo, direita e RN se colocavam contra. Ao final da votação, os parlamentares aprovaram o texto por 70 votos a 62.

Bloqueio de preços na grande distribuição: uma medida contestada

Durante o debate em plenário, o tema provocou discussões acaloradas, como destacou a imprensa. O deputado do RN, Jean-Philippe Tanguy, reagiu de forma dura ao afirmar que a França não vive sob um regime soviético e que o controle de preços seria ilegal, além de dizer que não seria possível administrar bilhões de referências em todo o território.

Na direção oposta, o deputado da LFI, Aurélien Le Coq, saiu em defesa da proposta. Para ele, rejeitar esse tipo de encargo equivale a permitir que as multinacionais da grande distribuição ampliem ainda mais suas margens. A esquerda também vê nessa iniciativa uma forma de sustentar o poder de compra das famílias e reduzir a fatia de lucro dos industriais, sob o argumento de que o IVA é socialmente injusto, já que todos pagam a mesma alíquota, independentemente da renda.

Na prática, porém, a aplicação dessa medida ainda está distante. Segundo o relator-geral do orçamento da Assembleia Nacional, Philippe Juvin, da Direita Republicana, nem sequer há certeza de que a proposta seja compatível com a Constituição. Além disso, o Senado, controlado pela direita, deve provavelmente contestar a ideia e retirar esse trecho do texto.

Se a proposta avançasse, seria necessário definir com precisão quais produtos entrariam no grupo de primeira necessidade e como o bloqueio seria fiscalizado na cadeia de distribuição. Em cenários de inflação mais pressionada, esse tipo de intervenção costuma ser defendido como forma de aliviar o orçamento das famílias, mas também desperta dúvidas sobre abastecimento, repasse de custos e possíveis distorções no mercado.

De todo modo, vale lembrar que a medida conta com apoio considerável entre os franceses. De acordo com uma pesquisa da Elabe feita em 2021 para a BFM Business, 88% dos entrevistados eram favoráveis ao bloqueio dos preços da energia, e 81% também queriam um bloqueio nos preços dos alimentos. Ainda assim, essa sondagem foi realizada em um contexto em que a inflação estava bem mais alta do que no fim de 2025.

E você, o que acha da ideia de bloquear preços e reduzir o IVA sobre produtos de primeira necessidade? Deixe sua opinião nos comentários.

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