No dia 31 de março, o texto que proíbe o uso de redes sociais por menores de 15 anos será apresentado aos senadores. Em relação ao projeto aprovado pelos deputados, uma mudança relevante já foi incorporada.
A França avança para uma possível proibição das redes sociais para adolescentes com menos de 15 anos. Depois da Assembleia Nacional, chegou a vez de o Senado examinar a proposta, que o governo pretende colocar em prática já no próximo período letivo. A discussão está marcada para a terça-feira, 31 de março. E, em comparação com a versão aprovada na Assembleia Nacional, a comissão já promoveu ajustes importantes.
O que mudou no texto sobre redes sociais e menores de 15 anos
A versão aprovada pelos deputados estabelece que o acesso a um serviço de rede social on-line oferecido por uma plataforma on-line é proibido para menores de quinze anos.
No entanto, a emenda apresentada pela senadora Catherine Morin-Desailly busca separar as plataformas mais perigosas das demais.
Essa emenda prevê a proibição, para menores de 15 anos, de acessar um serviço fornecido por uma plataforma on-line que integre as funcionalidades de uma rede social quando, por causa do conteúdo divulgado ou dos sistemas de recomendação utilizados, ele possa prejudicar seu desenvolvimento físico, mental ou moral.
A lista dessas plataformas proibidas seria criada por meio de decreto do ministério responsável pela área digital. Já as demais plataformas, desde que não estejam nessa lista e não reproduzam o conteúdo nem o sistema de recomendação dos serviços incluídos, poderiam ser acessadas com a autorização e a supervisão de um responsável legal.
Em outras palavras, haveria redes sociais totalmente bloqueadas e outras que permaneceriam acessíveis, mas somente com permissão dos pais ou de outro responsável.
Nem tudo deve ser colocado no mesmo pacote
Em declaração citada pela AFP, a senadora Catherine Morin-Desailly reconhece que existem redes sociais “potencialmente perigosas por causa do conteúdo e do modelo” e que, por isso, precisam ser proibidas. Ainda assim, na avaliação dela, também existem plataformas cujos algoritmos não são nocivos.
A proposta também inclui exceções para enciclopédias on-line, “catálogos educacionais ou científicos” e plataformas voltadas ao desenvolvimento de software de código aberto.
A discussão em torno desse texto deve recolocar no centro do debate a forma como crianças e adolescentes usam o ambiente digital, especialmente em relação ao tempo de exposição, à circulação de conteúdos sensíveis e à influência dos algoritmos. Na prática, a medida também levanta a questão de como verificar a idade dos usuários sem comprometer a privacidade, um desafio que costuma acompanhar propostas desse tipo.
Para famílias e escolas, a mudança pode reforçar a importância da mediação adulta no uso da internet. Mesmo quando o acesso não for totalmente proibido, a proposta indica que a supervisão de um responsável seguirá sendo uma peça central na relação dos jovens com as plataformas digitais.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário