Pular para o conteúdo

Testei o OnePlus 15 e fiquei impressionado com sua incrível duração de bateria.

Jovem sorridente segurando smartphone com laptop e fones sobre mesa em ambiente urbano ao ar livre.

Não vai existir OnePlus 14: segundo a marca, o OnePlus 15 representa um salto tão grande que estaria “dois degraus” acima do modelo anterior. Usei o aparelho por uma semana e, abaixo, está a minha avaliação deste smartphone com uma autonomia fora do comum.

Há alguns anos, a OnePlus estava entre as minhas fabricantes preferidas. O OnePlus 5T, inclusive, segue bem colocado na lista de telemóveis que mais me marcaram (para o bem).

Naquele período, as decisões da empresa faziam muito sentido para mim: eram aparelhos com “cara de geek”, preço relativamente controlado e capazes de bater de frente com topos de linha no que realmente importa. Era a definição original de flagship killer. Para chegar lá, claro, havia concessões - normalmente em pontos toleráveis (com um asterisco para fotografia nas primeiras gerações).

Depois, muita coisa mudou. A OnePlus perdeu a independência total dentro do grupo BBK (Oppo, Vivo, Realme e OnePlus), o software aproximou-se do que a Oppo usa e o fundador, Carl Pei, saiu para criar a Nothing.

Oito anos depois do 5T, o que sobrou do “ADN” antigo? Ainda são produtos com bom custo-benefício para um público mais entusiasta? Testei o OnePlus 15 durante vários dias para tirar essa dúvida.

Preço do OnePlus 15

O OnePlus 15 é vendido em duas versões, conforme o armazenamento:

  • 256 GB: € 979
  • 512 GB: € 1.129

Existem três cores: Infinite Black (preto), Ultra Violet (violeta) e Sand Storm (branco).

OnePlus 15 no melhor preço (referências)

Preço base: € 979

Loja Desconto Preço Ação
Rakuten -38% € 609 Ver oferta
Amazon -14% € 841 Ver oferta

Observação para o Brasil: disponibilidade, impostos e garantia podem mudar bastante o cenário. Se a compra for via importação, vale considerar prazos, suporte e assistência técnica.

Uma ficha técnica do OnePlus 15 que conversa com o público geek (Snapdragon 8 Elite Gen 5)

Transparência total: quando uma marca envia um telemóvel para análise, normalmente vem junto uma ficha técnica - às vezes completa, às vezes bem superficial. Aqui, a OnePlus continua a ser a que mais se destaca: ela não entrega apenas a lista de componentes, mas também números detalhados e explicações mais profundas do que as de quase qualquer concorrente. Soa menos como marketing e mais como um documento técnico de verdade, explicando o aparelho e as escolhas do projeto. Para quem analisa (e para quem gosta de detalhes), isso é excelente e passa a sensação de que a OnePlus confia no que está a vender.

No centro do OnePlus 15 está o Snapdragon 8 Elite Gen 5, hoje o processador móvel mais poderoso do mercado. E não é uma decisão que interessa só a quem joga: ele melhora a fluidez no dia a dia, influencia conectividade (Wi‑Fi, 4G/5G e Bluetooth) e também pesa no processamento de fotos, vídeos e recursos de IA generativa.

Combinado com 12 GB ou 16 GB de RAM LPDDR5X e 256 GB a 512 GB de armazenamento UFS 4.1, o OnePlus 15 mantém consistência mesmo sob tarefas pesadas - jogos exigentes, processamento de imagem e até edição de vídeo. Ele continua estável e não aquece muito. Em Genshin Impact, por exemplo, roda no máximo a 60 FPS sem passar de 40 °C; e em títulos que permitem taxas mais altas, como PUBG, o framerate fica sólido, oscilando entre 117 e 120 FPS.

Esse resultado depende diretamente do sistema térmico: uma câmara de vapor de 5.731 mm², uma camada de grafite para levar o calor para longe dos pontos críticos e uma gestão de recursos do CPU mais bem calibrada. Na prática, funciona - e muito.

Autonomia incrível

Se havia algo que eu valorizava nos OnePlus antigos, era a sensação de “estar sempre disponível”. Nem sempre era porque a bateria era perfeita, mas porque a carga rápida (adotada cedo pela marca) garantia que 15 minutos na tomada resolviam o resto de um dia puxado. No OnePlus 15, a história vai além disso.

O aparelho traz duas baterias de 3.650 mAh, totalizando 7.300 mAh (ou 27,6 Wh). Essa capacidade enorme só fica viável por causa da bateria silício-carbono - uma evolução das baterias tradicionais de íons de lítio, que substitui o grafite do ânodo por um compósito de silício-carbono. O grupo BBK Electronics parece ter abraçado essa rota: a mesma tecnologia aparece nos modelos premium da Oppo, OnePlus, Vivo e Realme.

O resultado é, sem exagero, impressionante. Eu já escrevi inúmeras vezes em testes que “dá para chegar a dois dias sem carregador se você usar com moderação”; no OnePlus 15, dois dias passam a ser o normal mesmo com uso intenso. Consegui, por exemplo, atravessar dois dias enquanto fazia testes de desempenho (benchmarks e jogos 3D) e ainda restavam 17% quando decidi ligar na tomada. Terminar um dia com 70% a 80% de bateria deixou de ser fantasia - com o OnePlus 15, é um dia comum.

E se você esquecer de carregar e estiver no limite, a carga rápida de 120 W devolve horas de autonomia muito depressa. Mesmo sem fios, com AirVooc a 50 W, ele recarrega mais rápido do que um iPhone 17 Pro ou um Galaxy S25 Ultra carregando por cabo. Uma boa chamada de atenção para a concorrência.

O porém é direto: não vem carregador na caixa. Para aproveitar a potência máxima, será preciso gastar mais € 50 a € 70 num carregador compatível.

Dica prática (especialmente relevante no Brasil): para manter segurança e desempenho, faz sentido optar por carregadores certificados e cabos de boa qualidade. Em potências altas, acessórios ruins não só limitam a velocidade como podem aumentar aquecimento e desgaste.

Um smartphone pensado para multimédia

Para jogos e vídeos, o OnePlus 15 apoia-se num ecrã OLED de 6,78 polegadas. A resolução de 2772 × 1272 (Full HD+) não é a mais impressionante da categoria, mas o conjunto compensa com taxa de atualização variável de 1 a 165 Hz e brilho de 1.800 nits no modo de alto brilho (HBM).

Em sol forte, continua legível; à noite, pode descer até 1 nit para não incomodar a visão. Jogos, vídeo, HDR/Dolby Vision e edição de fotos: ele dá conta do recado em praticamente qualquer cenário. Para encarar de igual para igual o Galaxy S25 Ultra, só senti falta de um revestimento antirreflexo mais agressivo.

O áudio também ajuda: os alto-falantes estéreo têm bastante potência. No volume máximo, dá para notar compressão; mas por volta de 75%, já fica mais do que suficiente para consumir conteúdo com qualidade. Algumas frequências graves soam um pouco “fechadas” e podem ressoar, escondendo parte do resto do espectro e reduzindo a clareza. Ainda assim, somando ecrã grande e muito luminoso com áudio forte, achei mais agradável ver vídeos no OnePlus 15 do que no meu Pixel 9 Pro ou no iPhone 17.

Uma construção realmente robusta

Ser um flagship killer costumava significar aceitar concessões - e, no fim da década de 2010, uma parte delas estava no design e na resistência do aparelho. Esse capítulo ficou para trás.

O OnePlus 15 tem certificações IP66, IP68, IP69 e IP69K. Em termos práticos, isso indica proteção contra poeira, resistência a imersão de até 2 metros por 30 minutos e tolerância a jatos de alta pressão e temperatura de até 80 °C. Ainda assim, vale o lembrete: certificações dão tranquilidade, mas não são garantia eterna. Vedações podem degradar com o tempo e permitir entrada de líquidos. Ou seja: nada de mergulhar o OnePlus 15 na piscina “só para testar”.

Outra melhoria importante está no vidro: Gorilla Glass Victus 2. Não é o Gorilla Glass Armor usado atualmente pela Samsung, mas, pela experiência de longo prazo com aparelhos como o Galaxy S23, a resistência a riscos é excelente.

No geral, o design passa uma boa sensação de produto premium, e o peso está relativamente controlado para o tamanho: 211 g. A inclusão da Plus Key na lateral esquerda para abrir rapidamente funções é uma adição útil - dá para chamar o “espaço mental”, a câmara, o gravador, ativar a lanterna, colocar em “Não perturbe” e por aí vai. O ponto negativo, para mim, é que os botões de volume ficam altos demais, o que pode dificultar encontrá-los no tato com o aparelho em modo retrato.

Um conjunto de câmaras que cumpre o que promete

O OnePlus 15 marca uma mudança clara: depois de cinco gerações (sem contar os modelos “T”), acabou a parceria entre OnePlus e Hasselblad. O processamento de imagem deixa de ser feito pelos algoritmos do especialista sueco e passa para o DetailMax Engine.

A proposta desse motor de fotografia computacional é capturar várias imagens e combiná-las: junta a definição do enquadramento de 50 MP com a luminosidade de múltiplas capturas de 12 MP, entregando no fim uma foto de 26 MP. Antes de falar do resultado, vale olhar para o hardware do trio de sensores.

São três módulos de 50 MP:

  • Câmara principal (grande-angular): sensor Sony IMX906, com estabilização óptica (OIS), 6 lentes e abertura f/1.8.
  • Telefoto 3,5×: sensor Samsung S5KJN5, com OIS, 4 lentes e abertura f/2.8.
  • Ultra grande-angular 0,6×: sensor OmniVision OV50D, com 6 lentes e abertura f/2.0.

Apesar da mesma contagem de megapíxeis, os três módulos são bem diferentes. E há outro detalhe: o sensor principal já tem um ano - ele aparece, por exemplo, no Xiaomi 14T (por € 356 na altura em que estas linhas foram escritas) e no Samsung Galaxy A56 (a partir de € 276 na Amazon). Ainda assim, a consistência de cores entre as distâncias focais é mantida, e os algoritmos da OnePlus produzem imagens nítidas e detalhadas mesmo com pouca luz.

Em contrapartida, há dois custos: áreas realmente escuras quase não são levantadas (o que reduz nuances), e algumas fotos ficam com um aspeto “digital” demais. Outro ponto claro: a ultra grande-angular fica um degrau abaixo das outras lentes - e isso aparece principalmente à noite.

Na frente, a câmara de selfies usa um Sony IMX709 de 32 MP, com lente 5P e abertura f/2.4. De dia, entrega bom nível de detalhe; no escuro, perde um pouco de qualidade.

Em vídeo, o pacote é completo: 8K a 30 FPS, 4K estabilizado até 120 FPS e Dolby Vision. Eu gostaria de ver um modo LOG e aplicação de LUT, como no Find X9 Pro, mas é compreensível que existam diferenças para justificar os € 320 de distância entre os dois.

OxygenOS: eficiente, mas com arestas (e suporte curto)

Nos modelos antigos, eu gostava muito do OxygenOS: era fluido, cheio de funções e opções de personalização, com uma identidade visual própria e fácil de reconhecer. Hoje, o OxygenOS tornou-se essencialmente um clone do ColorOS, a interface da Oppo.

Sem colocar palavras na minha boca: o ColorOS é eficiente e muito completo - e, por consequência, o OxygenOS também. Há muitas funções pequenas e inteligentes que ajudam no uso diário.

O problema é que, quando você é exigente com interface, são as imperfeições que incomodam. Por exemplo: abrir uma pasta no meio do ecrã em vez de perto do polegar; o modo “Fluxo”, que deveria uniformizar as cores das aplicações, mas alterna entre fundo branco e cinza; não haver uma opção para abrir automaticamente o teclado ao entrar na gaveta de apps; a ausência de “borracha mágica” no Google Fotos, apesar da integração com o Gemini. E dá para continuar - embora, aqui, seja muito mais a soma de detalhes (alguns bem pessoais) do que falhas graves.

O que não é detalhe é a política de atualizações: quatro anos de updates do Android e seis anos de segurança é pouco. É insuficiente para competir com Google, Samsung ou Apple. Uma pena, porque já vir com o Android 16 de forma nativa era um começo forte.

Minha opinião sobre o OnePlus 15

A OnePlus, sim, preserva uma imagem voltada ao público mais entusiasta: entrega um equilíbrio interessante entre o ultra top de linha e um preço menos proibitivo. O OnePlus 15 é extremamente potente, tem uma autonomia que eu não vejo em mais nenhum concorrente direto, carrega muito rápido e, com preço de entrada abaixo de € 1.000, fica mais acessível do que os premium da Samsung ou da Apple.

Só que essa conclusão tem um “porém”: o Galaxy S25 Ultra já está no mercado há meses e, em promoções, pode aparecer por menos dinheiro - com fotografia claramente superior e uma promessa de durabilidade melhor, graças a sete anos de atualizações garantidas.

No fim, a pergunta principal é simples: você dá mais peso à qualidade de câmara ou à autonomia? Se autonomia for o critério decisivo, pode comprar sem medo - a chance de se frustrar é baixa.

OnePlus 15 no melhor preço (referências)

Preço base: € 979

Loja Desconto Preço Ação
Rakuten -38% € 609 Ver oferta
Amazon -14% € 841 Ver oferta

OnePlus 15 - Nota e avaliação

Preço de referência: € 979
Nota geral (média editorial): 9/10

Critério Nota
Design e ecrã 9,5/10
Desempenho e interface 9,0/10
Autonomia e carregamento 10,0/10
Câmara 7,5/10
Avaliação geral 9,0/10

O que eu gostei

  • Autonomia incrível
  • Carregamento muito rápido
  • Desempenho excelente
  • Design resistente
  • Ecrã bonito e forte em brilho

O que eu gostei menos

  • Fotografia ainda podia ser melhor
  • Botões de volume altos demais
  • Sem carregador na caixa (assim como os concorrentes)
  • Suporte de software curto
  • Ainda é um pouco caro para o que entrega em câmara

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário