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Geekom A5 Pro 2026: um mini PC discreto, econômico e voltado para tarefas leves

Pessoa digitando em teclado com monitor, fones de ouvido, dispositivo eletrônico e planta ao fundo em mesa de escritório.

O Geekom A5 Pro é um mini PC compacto e de baixíssimo consumo, pensado principalmente para escritório e multimídia. Com um preço inferior ao de muitas máquinas já equipadas com 64 GB de RAM, fica a pergunta: para quem ele realmente faz sentido? É isso que este teste procura responder.

Nos anos 1980, Edouard Molinaro arrancava risadas ao dizer que “com cem contos, você não compra mais nada”. Quarenta anos depois, a inflação apertou de verdade, a inteligência artificial generativa também ajudou a empurrar os preços para cima e, no fim das contas, até com 600 euros já é difícil levar um computador realmente interessante para casa.

Ainda assim, existem saídas. Enquanto não aparecem MacBook Neo usados ou recondicionados, dá para olhar com mais carinho para PCs de entrada ou para um mini PC. Mas para quais tipos de uso? Foi isso que tentamos descobrir neste teste do Geekom A5 Pro, um computador minúsculo, barato e que consome quase nada.

Preço e disponibilidade do Geekom A5 Pro 2026

O preço sugerido do Geekom A5 Pro 2026 com AMD Ryzen 5 7530U é de 799 euros. Na prática, porém, esse valor tem muita chance de nunca ser realmente cobrado. Hoje ele já aparece por 619 euros em várias lojas, e no site da própria marca há uma oferta adicional que derruba o preço para 588 euros.

Isso mostra que o preço sugerido muitas vezes serve só para criar um desconto “bonito” no papel: a própria Geekom vende o A5 Pro como “o melhor mini PC de 600 euros em 2026”.

Um design discreto e conexões bem completas

Se você já conhece o formato dos mini PCs, o Geekom A5 Pro não inventa moda. Visto de cima, ele é um quadrado de cantos arredondados com 11,24 cm de lado e 3,7 cm de espessura. É realmente pequeno, pouco mais largo do que uma caixa para Raspberry Pi.

Mesmo com esse tamanho reduzido, a conectividade é bem generosa. Na parte frontal, há duas portas USB 3.2 Gen 2 Tipo-A e uma saída de áudio de 3,5 mm. Na lateral, com acesso fácil, existe um slot para cartão SD. Já na traseira ficam a entrada de energia, duas HDMI 2.0, duas USB 3.2 Gen 2 Tipo-C, uma USB 3.2 Gen 2 Tipo-A, uma USB 2.0 e uma porta RJ45 de 2,5 Gb/s.

O ideal seria ter DisplayPort e também USB-C na parte da frente. E, se você gosta de tudo bem organizado, alinhado e na orientação certa, provavelmente vai torcer o nariz ao ver a posição das portas HDMI e do leitor SD - na verdade, de quase todas as portas, mas essas são as mais incômodas visualmente.

Na parte de baixo, quatro pés emborrachados garantem boa estabilidade sobre a mesa, e dois pontos de fixação permitem instalar a placa VESA inclusa na caixa para prender o PC atrás de um monitor ou de uma TV. A ideia é inteligente, mas isso significa que, para ligar ou desligar a máquina, você provavelmente terá de ir até a parte de trás - a não ser que use Wake on LAN. No fim, tudo depende da sua instalação e da forma como você pretende usar o aparelho.

Em um home office apertado, esse tipo de formato faz diferença. Ele libera espaço na mesa, reduz a bagunça de cabos e ainda pode ficar praticamente invisível atrás da tela. Para quem valoriza um ambiente mais limpo ou divide a bancada com outras coisas, esse é um ponto prático que pesa bastante.

Dá para jogar em um mini PC?

Se a publicidade dos anos 1990 me ensinou alguma coisa, é que algo pode ser pequeno e ainda assim ter força. Além disso, depois de testar o Framework Desktop - que, vale lembrar, está em outra faixa de preço - ficou claro para mim que as GPUs integradas modernas já conseguem rodar jogos de forma razoável, desde que a gente aceite algumas concessões. E como não sorrir para essa imagem promocional de alguém fingindo jogar neste mini PC?

A Geekom promete rodar de forma fluida LoL, CS:GO e jogos independentes. Depois de uma partida de Counter-Strike 2 que me fez lembrar os tempos de ensino médio, posso dizer que essa promessa é um pouco otimista demais. Em 1080p, com a maioria dos ajustes gráficos no modo “baixo”, o jogo roda. Chamar isso de “fluido” já seria exagerar, porque o desempenho ficou em torno de 20 a 25 FPS no máximo, com alguns engasgos que acabaram até ajudando a causar uma ou outra morte. O mesmo aconteceu em Fortnite e em Electrician Simulator - não julgue.

Para fazer as contas, o Geekom A5 Pro 2026 usa um APU AMD Ryzen 5 7530U. Trata-se de um chip hexa-core em 7 nm FinFET baseado na arquitetura Zen 3, com clock que pode chegar a 4,5 GHz. A parte gráfica fica por conta de um chipset Radeon com 7 núcleos e 500 MB de VRAM dedicada, complementada por 8 GB de memória compartilhada. Isso é pouco para jogar e também praticamente inviabiliza um uso local com modelo de linguagem grande. Nos dois cenários, o gargalo aparece rápido.

Se títulos em 3D não são a sua prioridade, jogos independentes em 2D podem funcionar muito bem. É o caso de Hades II, que segura 60 FPS mesmo em 1440p. Ainda assim, vale notar que, durante a jogatina, o GPU fica a 100% do uso. Ou seja: não é uma aposta de longo prazo.

O que realmente chama atenção, por outro lado, é o silêncio. Para fazer o ventilador entrar em ação de forma perceptível, é preciso submeter o aparelho a uma carga intensa e prolongada, a ponto de esgotar a VRAM. Na prática, isso aconteceu principalmente nos testes sintéticos.

Bureautica e multimídia: o uso mais coerente

No fim das contas, o A5 Pro parece muito mais um computador para escritório ou um centro multimídia para acompanhar uma televisão. Em um ambiente com Windows 11 e dois monitores - 1440p e 1080p - o sistema funcionou com total fluidez e não apresentou nenhuma instabilidade ao longo de todo o período de testes. Os 16 GB de RAM e o SSD deram conta sem esforço de uma carga básica de uso diário.

Em tarefas mais pesadas, fica claro que ele não é nenhum monstro de desempenho. Um arquivo RAW de 30 MB, por exemplo, é tratado sem dificuldade no Affinity, mas às vezes os controles não respondem de imediato. De vez em quando aparece uma latência de cerca de um segundo; hoje isso ainda é pouco, mas pode piorar com o tempo e com o desgaste. Já se a sua praia for edição de vídeo, ela continua sendo possível, mas os tempos de renderização vão ficar bem longe do ideal, sobretudo sem uma GPU mais potente.

Para consumo de mídia, o A5 Pro 2026 lida sem problema com arquivos 4K pesando mais de 60 GB, com HDR Dolby Vision e Dolby Atmos, tanto localmente quanto por streaming. A conectividade de rede também está bem servida: além da porta Ethernet de 2,5 Gb/s, há um chip Wi‑Fi 6. Seria ótimo ver pelo menos Wi‑Fi 6E, com a banda de 6 GHz, mas essa é mais uma vontade de entusiasta do que uma necessidade real.

Consumo muito baixo

Uma das maiores vantagens dos mini PCs, além do pouco espaço que ocupam, é o consumo de energia. O Ryzen 5 7530U pede apenas 15 W, mas o Geekom A5 Pro vai ainda mais abaixo e fica abaixo dos 10 W em uso leve. Enquanto escrevo este texto, sem nenhum outro programa aberto, o consumo varia entre 6 e 12 W. Em carga máxima, durante os benchmarks e com o ventilador trabalhando, ele sobe para algo entre 28 e 35 W. É uma distância enorme em relação a uma torre tradicional.

Quais são as possibilidades de expansão?

Forçando um pouco a remoção dos pés antiderrapantes, dá para acessar quatro parafusos que soltam a tampa inferior e, em seguida, mais quatro que retiram uma placa de proteção. Assim, você chega ao SSD M.2 e aos dois módulos de RAM SO-DIMM, no caso 2 x 8 GB. Há ainda um espaço livre para instalar um segundo SSD no formato M.2 2242, e a memória pode ser facilmente trocada até chegar a 64 GB, se você quiser dobrar a máquina.

Ao fazer isso, tome cuidado para não arrancar a antena colada na tampa. Para religá-la, será preciso retirar o SSD, descolar a placa de plexiglass presa ao módulo de rede, reconectar a peça com delicadeza e remontar tudo sem puxar a antena de novo. Não é algo absurdamente complicado, mas também não é exatamente simples, por causa do tamanho reduzido dos componentes e do espaço apertado.

Para quem o Geekom A5 Pro faz sentido?

Como já era esperado, o Geekom A5 Pro não é nenhum prodígio de desempenho. É um pequeno computador pensado para tarefas leves de escritório ou para servir como servidor multimídia ao lado da TV. Com 1 TB de SSD e espaço para expansão, ele pode facilitar o acesso aos seus arquivos, aos serviços de streaming e até ao cloud gaming diretamente no televisor. Além disso, ele é totalmente compatível com Linux e pode, portanto, também hospedar um pequeno servidor para rodar Home Assistant ou substituir um serviço de armazenamento em nuvem. Tudo isso com funcionamento praticamente silencioso, o que não é nada desprezível.

Mesmo assim, a potência dele se mostra limitada bem rápido. Pelo preço sugerido de venda, que ainda está perto dos 800 euros, dá para encontrar opções melhores. Já pelos 600 euros praticados de verdade, ele passa a ser uma possibilidade. Ainda assim, se o aparelho chamou sua atenção, o conselho continua sendo o mesmo: vale mais a pena esperar uma promoção.

Se o seu uso exige multitarefa pesada, edição constante de vídeo ou várias máquinas virtuais ao mesmo tempo, talvez seja melhor mirar em um desktop maior ou em um notebook mais robusto. O Geekom A5 Pro funciona muito bem quando a prioridade é discrição, baixo consumo e simplicidade. Quando a exigência sobe, ele deixa claro que nasceu para outro tipo de cenário.

Geekom A5 Pro

Item Valor
Preço 619 €
Nota geral 7,5/10

O que gostamos

  • Ocupa pouquíssimo espaço
  • Consumo de energia muito baixo
  • É suficiente para tarefas de escritório
  • Pode ser instalado em suporte VESA incluso
  • Conectividade completa

O que gostamos menos

  • Potência limitada
  • Todas as portas ficam “ao contrário”
  • Merecia custar menos de 500 €

Descubra o Geekom A5 Pro

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