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COP 30: A União Europeia está desistindo de suas metas climáticas?

Homem de terno analisa gráficos em mesa com bandeira da UE, com turbinas eólicas ao fundo.

Os países da União Europeia chegam à véspera de uma grande reunião internacional ainda sem uma posição comum, apesar da pressão do calendário climático.

A partir de 10 de novembro, começa a Conferência de Belém (Brasil) de 2025 sobre mudanças climáticas, a COP 30. Antes disso, já nesta quinta-feira, 6 de novembro, líderes globais devem se reunir no próprio local para conversas iniciais sobre o tema.

O encontro tende a ser mais um marco decisivo na corrida para frear um risco global que só aumenta. Enquanto os Estados Unidos de Donald Trump se colocam de forma clara como força de bloqueio a esses esforços, a União Europeia tenta - com dificuldade - encontrar um denominador comum. A seguir, os pontos centrais do impasse.

União Europeia e o objetivo climático para 2040: por que a meta divide o bloco

Nesta terça-feira, 4 de novembro, os ministros europeus do Meio Ambiente voltam a tentar fechar um acordo em torno de um novo objetivo climático para 2040, depois de o tema ter travado em setembro. A urgência cresce porque países como Reino Unido, Austrália e China devem chegar ao Brasil apresentando novas metas ambiciosas, elevando a régua política do debate.

A proposta em discussão prevê cortar as emissões líquidas de gases de efeito estufa no conjunto do Velho Continente em 90% em relação aos níveis de 1990, dentro de 15 anos. Segundo a Reuters, governos como Itália, Polónia e República Tcheca consideram a meta difícil demais e potencialmente arriscada para as suas indústrias nacionais.

No sentido oposto, Espanha, Suécia e Países Baixos defendem a ambição integralmente, citando os danos de eventos meteorológicos recentes e argumentando que o alvo pode ajudar a UE a recuperar terreno em tecnologias verdes.

No meio dessa disputa, a França aparenta buscar uma saída de equilíbrio: propõe incluir uma cláusula que permita flexibilizar a meta de 2040 nos próximos anos caso se confirme que as florestas não conseguem absorver CO2 em volume suficiente.

Além disso, negociadores analisam outro tema altamente sensível: a proibição da venda de carros a combustão prevista para 2035. Ao sustentar as suas montadoras e “campeões nacionais”, a Alemanha defende uma suavização dessa regra.

Vale lembrar que, no desenho climático europeu, a credibilidade externa depende tanto de ambição numérica quanto de execução doméstica. Por isso, as discussões sobre 2040 e 2035 não são apenas técnicas: elas determinam o espaço de manobra do bloco na COP 30 e influenciam a capacidade de a UE cobrar metas elevadas de outros grandes emissores.

Como pano de fundo, cresce também a preocupação com “transição justa”: metas mais duras exigem mecanismos para amortecer impactos em regiões industriais, cadeias produtivas e empregos. Mesmo sem mudar os números, o tipo de acordo que sair de Bruxelas pode incluir sinalizações sobre apoio a setores mais expostos e sobre o ritmo de substituição de tecnologias intensivas em carbono.

Um entendimento “imperfeito” antes da COP 30?

O desfecho das conversas promete ser apertado. Para validar os novos objetivos climáticos, será necessário reunir a aprovação de 15 dos 27 Estados-membros da União Europeia.

Citado pelo jornal belga Echo, um diplomata europeu resumiu o clima com franqueza: “Não vai ser bonito, vai ser imperfeito, mas a alternativa seria terminar sem rumo.” Já a presidência dinamarquesa do conselho adotou tom mais confiante nesta segunda-feira: “Estamos convencidos de que todos os elementos necessários para um acordo estão reunidos.”

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