Enquanto os Estados Unidos apertam o cerco contra o Irã, o estreito de Ormuz continua cheio de minas. Paris e Londres já se movimentam para o que virá depois, mas reabrir essa passagem estratégica pode levar meses.
O bloqueio norte-americano ao estreito de Ormuz já começou e representa mais uma tentativa de Donald Trump de aumentar a pressão sobre o Irã. Isso porque, desde o início do conflito, Teerã fechou essa rota essencial para a economia mundial, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no planeta. A medida mergulhou os mercados de energia em uma crise profunda, cujos efeitos se espalham dia após dia.
Os Estados Unidos intensificaram as investidas para tentar forçar a reabertura do canal, chegando a ameaçar destruir a infraestrutura energética iraniana. Na semana passada, uma breve melhora chegou a sugerir um retorno à normalidade, mas a trégua não resistiu. “Não se pode permitir que um país chantageie o mundo”, justificou Donald Trump.
Um estreito de Ormuz minado
De acordo com Washington, a meta é elevar a pressão econômica sobre Teerã até que o custo desse confronto se torne insuportável. O bloqueio atinge todos os navios que entram ou saem dos portos iranianos, independentemente da nacionalidade. Até então, o Irã concedia uma espécie de autorização informal a parte dessas embarcações. Mas, se esse novo esforço surtir efeito, um obstáculo grave continuará de pé: a área está minada, e ninguém pode atravessá-la sem correr risco.
A França e o Reino Unido, que se recusaram a aderir ao bloqueio norte-americano, já começaram a preparar os próximos passos. Os dois países anunciaram que vão organizar, nos próximos dias, uma conferência com outras nações dispostas a colaborar na preparação de uma operação de desminagem.
Para isso, a França conta com recursos especializados: cerca de dez navios caça-minas, apoiados por drones submarinos capazes de operar a até 100 metros de profundidade. Ainda assim, esses meios não bastam para uma ação isolada. Por esse motivo, será indispensável montar uma coalizão internacional, com atuação prolongada.
Uma operação que pode durar vários meses
A desminagem é um trabalho demorado, já que cada artefato precisa ser localizado, identificado e neutralizado de forma individual. Na prática, a reabertura completa de uma rota tão importante levará semanas, e possivelmente meses. E isso somente sob uma condição básica e absoluta: o fim do conflito.
“Não dá para fazer desminagem com drones e mísseis passando por cima”, lembrou Guillaume Garnier, ex-mergulhador de desativação de minas da Marinha francesa, em entrevista à BFMTV. Enquanto isso, a mera incerteza já será suficiente para travar ainda mais o tráfego marítimo. O resultado tende a ser o aumento dos seguros e o estrangulamento dos fluxos energéticos globais.
Além do risco militar, há também um efeito econômico imediato sobre a navegação comercial. Cada atraso no estreito de Ormuz repercute em cadeias de abastecimento, custos de frete e prazos de entrega, pressionando refinarias, importadores e consumidores em várias regiões do mundo. Mesmo uma interrupção curta pode ter reflexos duradouros nos preços do petróleo e dos derivados.
Outro ponto sensível é a coordenação entre forças navais, inteligência e vigilância aérea. Em um corredor marítimo tão estreito e movimentado, a segurança depende não apenas de remover explosivos, mas também de garantir comunicação constante entre os países envolvidos. Sem essa articulação, qualquer avanço pode se transformar em uma nova fonte de instabilidade.
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