O projeto de criptomoedas de Donald Trump começa a balançar. Justin Sun, bilionário e principal investidor da World Liberty Financial, acusa publicamente o ex-presidente de tê-lo colocado em uma armadilha. O novo escândalo pode acabar constrangendo a Casa Branca.
A insatisfação cresce entre os investidores da World Liberty Financial, a plataforma de finanças descentralizadas cofundada por Donald Trump e seus filhos. Lançado com grande pompa em 2024, o projeto prometia oferecer ao público americano os benefícios de uma finança mais livre e transparente, por meio de um sistema financeiro alternativo que funciona sem banco nem intermediário, totalmente baseado na tecnologia blockchain. Hoje, ele está no centro de uma enorme polêmica.
World Liberty Financial e as acusações de Justin Sun
O principal nome por trás da crise é o bilionário taiwanês Justin Sun, uma figura de peso no setor de criptomoedas. Entre os primeiros - e mais generosos - investidores da World Liberty, ele publicou neste domingo, 12 de abril, uma mensagem explosiva no X. Segundo ele, a plataforma enganou todos os seus investidores ao se apresentar como “uma porta aberta”, quando, na verdade, seria “uma armadilha”.
As acusações são detalhadas. Sun afirma, antes de tudo, que existe uma função oculta capaz de impedir, a qualquer momento e sem aviso prévio, o acesso aos fundos de qualquer investidor. Ele sustenta ainda que sua própria conta foi bloqueada já em 2025, o que o teria impedido de acessar seus tokens.
O bilionário também diz que uma única pessoa anônima teria o poder de congelar os ativos de qualquer detentor de tokens. Segundo ele, esse indivíduo controlaria secretamente uma chave digital única, equivalente a uma chave-mestra para todo o sistema. A identidade dessa pessoa nunca foi revelada aos investidores.
Além disso, o projeto teria tomado emprestados 75 milhões de dólares usando os próprios tokens como garantia, em uma plataforma cujo cofundador também atua como diretor técnico da World Liberty Financial. Trata-se de um conflito de interesses difícil de contestar. O momento da operação também chama atenção: milhões de tokens devem ser desbloqueados em breve para os primeiros investidores, o que tende a reduzir seu valor de forma automática. Para alguns observadores, isso pode indicar uma tentativa de levantar caixa antes da tempestade, em prejuízo dos pequenos investidores.
Em mercados cripto, a confiança costuma valer tanto quanto a tecnologia. Quando surgem dúvidas sobre bloqueio de ativos, concentração de poder e possível uso interno de informações, o impacto vai além do preço dos tokens: a reputação do projeto também fica sob pressão. Nesse tipo de ambiente, qualquer suspeita de falta de transparência pode acelerar a fuga de capital e aumentar a volatilidade.
A resposta da World Liberty
Do lado da empresa, a World Liberty Financial afirma que já reembolsou um terço do empréstimo e nega qualquer intenção de saída apressada. A plataforma também diz dispor dos recursos necessários para enfrentar qualquer cenário.
Ainda assim, as dúvidas levantadas vão muito além do universo das criptomoedas. Quando o presidente dos Estados Unidos cofunda um projeto financeiro opaco, sem conselho de administração independente e sem prestação regular de contas aos investidores, quem protege esses investidores?
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