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Xiaomi 17 Ultra: um smartphone capaz de encarar uma câmera fotográfica?

Homem tirando selfie com smartphone ao pôr do sol em um terraço com câmeras fotográficas ao redor.

Xiaomi e Leica agora falam em uma “fusão tecnológica profunda”. Por trás do discurso de marketing, surge a pergunta que realmente importa: o 17 Ultra, vendido por 1.499 euros na versão de 512 GB, consegue mesmo disputar espaço com uma câmera fotográfica do mesmo preço? É exatamente essa a promessa das duas marcas. Mas como isso se traduz no uso real? Para descobrir, usei o aparelho durante um mês. Este é o veredito.

Xiaomi 17 Ultra no melhor preço

Preço inicial: 1.499 €

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Um smartphone que impressiona

A primeira boa surpresa veio ao abrir a caixa: o Xiaomi 17 Ultra emagreceu. As curvas mais arredondadas do 15 Ultra ficaram no passado e deram lugar a um design plano, mais angular, que transmite uma aparência mais profissional. Com 219 g e 8,29 mm de espessura, ele é o Ultra mais fino e mais leve já produzido pela Xiaomi. Continua sendo um aparelho grande - afinal, são 6,9 polegadas -, mas o manuseio ficou bem mais confortável do que antes.

O conjunto de câmeras, reposicionado um pouco mais alto em relação ao modelo anterior, continua avançando para fora da estrutura. Ainda assim, a Xiaomi conseguiu ganhar alguns milímetros que fazem diferença de verdade. Os dedos passam a se acomodar naturalmente abaixo da câmera quando o aparelho é segurado, e eu praticamente deixei de fotografar meus próprios dedos no lugar do assunto. Às vezes, o paraíso está escondido em pequenos detalhes.

A certificação IP68, a moldura de alumínio bastante rígida e a construção impecável são exatamente o que se espera nessa faixa de preço. Também gostei do estojo de proteção transparente incluído, porque ele não estraga o visual do aparelho. Tudo teria sido perfeito se a Xiaomi enviasse um carregador na Europa ou, no mínimo, permitisse que o cliente interessado o recebesse gratuitamente.

Um excelente aparelho para fotos e vídeos

Outro ponto que merece destaque é a experiência de uso para quem vive com a câmera aberta. O aplicativo fotográfico é rápido, os atalhos principais estão à mão e a alternância entre lentes acontece de forma quase invisível. Para quem viaja, faz cobertura de eventos ou gosta de registrar o dia a dia sem carregar equipamento extra, essa praticidade pesa tanto quanto a qualidade da imagem.

Também vale observar que o 17 Ultra tenta agradar tanto quem prefere disparar no automático quanto quem gosta de controlar mais a captura. Há bastante espaço para ajustes, mas sem transformar o uso em algo complicado. Isso ajuda a reforçar a proposta do aparelho: ser um celular de ponta que realmente se comporte como ferramenta de criação.

Uma tela muito bem resolvida

O painel LTPO AMOLED do 17 Ultra mantém o mesmo tamanho, mas traz uma resolução menor do que a do 15 Ultra. À primeira vista, isso poderia soar como um retrocesso, mas seria ignorar o ponto principal: aqui a Xiaomi estreia a tecnologia HyperRGB. Na prática, cada pixel conta com seus próprios subpixels vermelho, verde e azul, enquanto os painéis tradicionais compartilham parte desses elementos entre pixels vizinhos. O resultado é que, mesmo com resolução inferior, a nitidez percebida continua equivalente - ou até superior. E ainda há redução no consumo de energia. Inteligente. Se a ideia for reclamar, será preciso colar o rosto na tela para perceber diferença. E ainda ter boa visão.

O brilho chega a 3.500 nits no pico HDR, ou seja, em áreas específicas da tela durante a exibição de conteúdo HDR. Mesmo sob sol forte, a visibilidade continua excelente. As cores são precisas, e o Dolby Vision e o HDR10+ também estão presentes. Sem exagero: é uma das melhores telas que já passaram pelas minhas mãos.

Xiaomi 17
Dimensões
Peso
Tela
Processador
Memória RAM
Armazenamento
Sistema operacional
Câmeras traseiras
Câmera frontal
Biometria
Bateria
Certificação IP
Cores

Desempenho e autonomia: o equilíbrio certo

O Xiaomi 17 Ultra vem equipado com o SoC Snapdragon 8 Elite Gen 5, o que há de mais avançado na Qualcomm em 2026. O poder de processamento é absurdo e não decepciona em nenhum momento. Seja para jogar Genshin Impact ou abusar do multitarefas, nada parece intimidá-lo. A gestão térmica é bem controlada: a traseira esquenta um pouco durante jogos, mas nada preocupante.

Na autonomia, a bateria sobe de 5.410 para 6.000 mAh em relação ao 15 Ultra, e isso é perceptível. Em uso comum - redes sociais, mensagens, navegação e algumas fotos -, eu passei com frequência de um dia e meio longe da tomada. Em um cenário mais exigente, com sessões longas de fotografia e streaming de vídeo, ainda é preciso atenção no fim do dia, mas o nível de ansiedade do 15 Ultra, que podia se render já por volta das 18 horas, ficou para trás.

O carregamento com fio chega a 90 W com o carregador da Xiaomi, que novamente não vem na caixa. Espere algo em torno de 20 minutos para atingir 50% e 51 minutos para uma carga completa. O carregamento sem fio de 50 W também está disponível.

HyperOS 3 e IA: evolução, mas com ressalvas

O 17 Ultra roda Android 16 com HyperOS 3, a interface proprietária da Xiaomi. A marca promete cinco grandes versões futuras do Android e seis anos de atualizações de segurança - é uma proposta boa, embora ainda fique atrás dos sete anos oferecidos por Samsung e Google.

A interface é agradável de usar e oferece um alto nível de personalização, com papéis de parede gerados por IA, ícones, fontes e outras opções. No campo da inteligência artificial, continuam presentes o Gemini, do Google, e o HyperAI, solução da própria Xiaomi. Testei bastante o recorte inteligente, a remoção de objetos indesejados e o recurso de expansão de imagem: o resultado é convincente, embora o Galaxy AI da Samsung ainda siga ligeiramente à frente em precisão.

O excesso de bloatware pré-instalado estraga um pouco o conjunto. Em um smartphone de 1.500 euros, encontrar uma pasta chamada “Mais aplicativos” repleta de softwares inúteis e publicidade disfarçada é, francamente, irritante. Felizmente, dá para desinstalar boa parte, mas o simples fato de isso existir em um aparelho desse nível é difícil de engolir.

A fotografia: a grande arma do 17 Ultra

A fotografia é a verdadeira razão de ser do 17 Ultra. Xiaomi e Leica adotaram uma decisão ousada: abrir mão do duplo teleobjetivo do 15 Ultra para apostar em um único módulo com zoom mecânico contínuo. É algo inédito em um smartphone. O risco era alto, mas, depois de um mês de uso, posso dizer que a aposta deu certo.

A teleobjetiva cobre de forma contínua a faixa de 75 a 100 mm, sem saltos e sem mudanças bruscas de aparência entre uma distância focal e outra. O funcionamento é totalmente fluido. E, graças ao sensor de 200 MP, ainda é possível levar o zoom digital até 400 mm com qualidade bastante aceitável. A lente recebe a certificação Leica APO, o que garante praticamente ausência de aberrações cromáticas: as imagens ficam nítidas, limpas e sem halos coloridos indesejados.

O sensor principal de 50 MP, no formato de 1 polegada, entrega resultados impressionantes em plena luz do dia. A faixa dinâmica é excelente, e as cores aparecem ricas sem cair em saturação exagerada. Os dois perfis Leica - Vibrant, para um visual mais vivo, e Authentic, para maior fidelidade - oferecem flexibilidade real. Em ambientes escuros, o sensor de 1 polegada mostra sua vantagem: o ruído digital fica sob controle, e os detalhes permanecem preservados. Não é um full frame, mas chega bem perto da proposta.

A ultra grande-angular de 50 MP completa o conjunto com um campo de visão de 115°. Ela não muda o jogo, mas cumpre bem a função: boa definição no centro, distorção bem corrigida e, acima de tudo, coerência de cores com o sensor principal, o que evita aquelas mudanças de tonalidade incômodas que ainda aparecem em muitos concorrentes. Já o modo retrato recebeu um tratamento cuidadoso: o recorte é preciso, até mesmo em cabelos, e o desfoque artificial tem aparência natural.

Na parte de vídeo, a gravação em 4K a 120 quadros por segundo com Dolby Vision é um verdadeiro prazer. O modo Log, pensado para criadores que fazem correção na pós-produção, é uma adição muito bem-vinda. A pergunta que fica diante de um aparelho de 1.500 euros é simples: o 17 Ultra pode substituir uma câmera? A minha resposta é sim. Não, ele não substitui uma câmera full frame. Mas, para trabalhos leves, reportagens e produções em que não se quer abrir mão demais da qualidade, ele já virou uma opção bastante convincente.

Xiaomi 17 Ultra ou Leica Leitzphone?

Para celebrar os 100 anos da Leica, as duas parceiras lançam uma versão Leitzphone do 17 Ultra. A base técnica é a mesma, mas o modelo traz estrutura inteiramente em alumínio anodizado com acabamento níquel, pintura preta exclusiva e um anel metálico serrilhado ao redor do módulo de câmeras que remete às argolas de foco das lentes Leica M. O modo Leica Essential permite recriar digitalmente a aparência de modelos lendários como o M9 ou o M3, e quem gosta de preto e branco conta com o perfil Leica MONOPAN 50.

O Leitzphone só é vendido na configuração de 16 GB + 1 TB por 1.999 euros, ou seja, 300 euros a mais que o 17 Ultra com armazenamento equivalente. Esse valor extra se justifica do ponto de vista técnico? Não: sensores, processador e bateria são os mesmos. Mas o Leitzphone é, antes de tudo, um objeto de coleção, e não uma compra racional. Para todos os demais, o 17 Ultra entrega o mesmo desempenho fotográfico por um preço menos agressivo.

O que eu penso do Xiaomi 17 Ultra

O Xiaomi 17 Ultra é o melhor celular fotográfico que já testei até hoje. O zoom mecânico contínuo é uma inovação que realmente faz diferença no cotidiano, a tela HyperRGB é belíssima, a autonomia evoluiu bastante e a potência está à altura do que se espera. A integração de IA no HyperOS 3 também avançou, embora a Samsung ainda siga com pequena vantagem.

Mesmo assim, ainda há dois pontos fracos. O primeiro é o preço: 1.499 euros é valor de produto de luxo. Ao menos ele se mantém estável em relação ao 15 Ultra, que já tinha o mesmo preço do 14 Ultra. No fim das contas, isso é algo positivo. O segundo problema é justamente o bloatware, que não deveria estar presente em um smartphone desse nível. A Xiaomi vai precisar resolver isso se quiser ser levada a sério contra Samsung e Apple no segmento premium. Mas, para fotografia - e apenas para fotografia -, o 17 Ultra não tem hoje rival no universo Android.

Xiaomi 17 Ultra

1.499 €

9,5

Tela

9,5/10

Desempenho

10,0/10

Autonomia e recarga

9,0/10

Fotografia

10,0/10

Relação custo-benefício

9,0/10

O que gostamos

  • Qualidade fotográfica
  • Tela excelente
  • Certificação IP68
  • Construção impecável

O que gostamos menos

  • Bloatware demais, o que é inaceitável
  • Carregador não incluso
  • Preço alto, embora justificável

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