Quem pega na pá e na caixa de bulbos em março oferece ao jardim de verão uma vantagem concreta. O solo começa a aquecer devagar, mas ainda conserva uma umidade agradável - exatamente o que muitas plantas bulbosas de floração estival apreciam. Com a escolha certa e o momento adequado, é possível esticar a floração de junho até outubro.
Por que março é um momento de ouro para bulbos de verão
Em março, o jardim muitas vezes ainda parece de inverno. Mas, abaixo da superfície, as plantas já estão trabalhando a todo vapor. Depois das chuvas dos últimos meses, a terra costuma estar bem encharcada, e ao mesmo tempo a temperatura sobe um pouco a cada semana.
Quem planta bulbos de verão em março dá a eles tempo para formar um sistema radicular forte - e isso os deixa mais resistentes ao calor e aos períodos de seca mais tarde.
Conforme a região, a largada pode mudar um pouco:
- Regiões amenas / áreas de viticultura / locais próximos ao perímetro urbano: o plantio costuma ser possível já no começo de março.
- Centro do Brasil / regiões intermediárias: normalmente faz sentido do meio até o fim de março.
- Áreas frias / regiões mais altas: melhor esperar o início de abril ou fazer a pré-cultura em vasos sob proteção.
Onde houver risco de geada tardia, uma manta de proteção no fim da tarde ajuda a resguardar os brotos novos. Uma camada fina de cobertura morta com folhas ou lascas de casca também ajuda a suavizar as oscilações de temperatura.
Como plantar bulbos de flor em março do jeito certo
Antes de começar o plantio, vale observar com atenção o material de plantio. Bulbos firmes e cheios, sem partes apodrecidas nem mofo, costumam vingar muito melhor no ano do que exemplares moles ou enrugados.
O local e o solo certos para bulbos de verão
De modo geral, as bulbosas de floração estival preferem:
- Solo solto e permeável: excesso de água é péssimo, especialmente na primavera.
- Solo rico em nutrientes: composto bem curtido como adubação inicial faz diferença.
- Muito sol, se possível: sobretudo as espécies de floração mais marcante precisam de muitas horas de luz.
Se a terra for pesada, você pode soltá-la com areia ou pedrisco fino. Se a água da chuva permanece em poças por muito tempo, o lugar não é adequado para plantas bulbosas.
A regra simples de profundidade que quase sempre funciona
Para a profundidade de plantio, existe uma regra prática fácil de guardar:
Profundidade de plantio = cerca de 2,5 a 3 vezes a altura do bulbo.
Exemplo: se o bulbo mede 5 centímetros de altura, ele vai para uma profundidade de 12 a 15 centímetros. A ponta deve ficar voltada para cima. Depois de posicionar, aperte levemente a terra e regue uma vez, de forma bem abundante.
Espécies altas, com hastes longas de flores, agradecem um tutor já no momento do plantio. Assim, você evita que os brotos dobrem com o vento ou caiam com a chuva.
Sete estrelas de bulbos que realmente vão longe no verão
Com as sete espécies a seguir, dá para montar um canteiro que ganha cor de junho até o outono - sem precisar regar todos os dias.
Dálias: explosão de cores até outubro
As dálias estão entre as favoritas de muitos jardineiros amadores. Dependendo da variedade, florescem do auge do verão até o fim do outono. Plantadas em março ou abril em terra bem drenada, formam arbustos vigorosos com incontáveis flores - das mais simples às tipo pompom.
- Local: pleno sol, protegido do vento.
- Espaçamento: conforme a variedade, de 40 a 80 centímetros.
- Dica: retirar regularmente as flores murchas estimula novos botões.
Em regiões sujeitas a geadas, vale a pena iniciar os tubérculos primeiro em vasos dentro de casa ou em estufa. Assim que passar o risco das últimas geadas, as plantas vão para o canteiro.
Lírios: perfume elegante e presença vertical marcante
Os lírios dão estrutura aos canteiros de perenes. Suas flores costumam surgir entre junho e agosto e, conforme a espécie, exalam um perfume mais suave ou mais intenso. Os bulbos devem ir bem fundo na terra, para que fiquem frescos e estáveis.
- Local: ponto claro, de preferência com a base levemente sombreada por perenes baixas.
- Profundidade de plantio: geralmente entre 15 e 20 centímetros.
- Dica: um pouco de areia sob o bulbo ajuda a evitar apodrecimento.
Os lírios ficam muito bem em canteiros mistos, onde se destacam acima de uma base de perenes e gramíneas.
Begônias tuberosas: brilho na sombra
As begônias tuberosas são especialistas em áreas de meia-sombra até sombra. Onde outras flores de verão enfraquecem, elas levam cor para jardineiras, vasos e bordas de canteiro - normalmente de julho até o outono.
- Local: meia-sombra a sombra, protegido do vento.
- Uso: ideais para floreiras, cestas pendentes e jardins frontais sombreados.
- Dica: em março, comece em vasos dentro de casa e leve para fora a partir de maio.
O tubérculo deve ser colocado raso, com a parte levemente côncava voltada para cima. Um substrato fofo, que nunca fique totalmente encharcado, evita o apodrecimento.
Gladíolos: espigas espetaculares para o vaso
Os gladíolos são as flores de corte clássicas dos jardins de avó - e voltaram com força. Suas altas espigas florais criam pontos de destaque importantes em canteiros e jardins de estilo campestre.
- Local: ensolarado, em área protegida.
- Plantio escalonado: quem coloca novos bulbos a cada duas semanas prolonga a floração.
- Dica: já deixe o tutor fincado no momento do plantio.
Como os gladíolos são sensíveis à quebra pelo vento, o ideal é colocá-los diante de muros ou cercas-vivas. Em canteiros estreitos, eles também podem ficar atrás de perenes baixas, para que só as espigas apareçam.
Cannas: clima tropical na borda da varanda
As cannas, também chamadas de cana-flor, trazem clima de férias ao jardim com suas folhas largas, muitas vezes desenhadas em cores diferentes, e flores grandes e vistosas. Em vasos grandes, o efeito é especialmente marcante.
- Local: pleno sol, quente e sem vento.
- Solo: rico em nutrientes, com umidade constante, mas sem excesso de água.
- Dica: comece em vaso dentro de casa em março e leve para fora depois do fim do risco de geada.
Em regiões mais frias, os rizomas passam o inverno sem geada em porão ou garagem. Na primavera seguinte, podem ser divididos para gerar novas plantas.
Crocosmia: arcos ardentes para o fim do verão
As crocosmias, muitas vezes vendidas pelo nome de montbretia, se destacam com hastes curvas em tons de laranja, vermelho ou amarelo. Elas trazem movimento ao canteiro e combinam muito bem com jardins de aspecto mais natural.
- Local: de sol pleno a meia-sombra.
- Plantio: coloque em grupos, pois assim a cor fica mais intensa.
- Dica: uma cobertura leve de folhas ajuda a atravessar períodos de frio rigoroso.
Por causa das folhas finas e dos arcos elegantes, formam contrastes bonitos com perenes mais compactas ou com gramíneas ornamentais.
Agapanto: a flor em esfera para quem aprecia
O agapanto, também chamado de lírio-da-pedra, produz no verão grandes inflorescências arredondadas em branco ou azul. Em muitos jardins, ele é cultivado em vaso, porque nem sempre é totalmente resistente ao frio em qualquer lugar.
- Local: sol, de preferência junto a uma parede que retenha calor.
- Cultivo em recipiente: raízes mais apertadas favorecem a vontade de florescer.
- Dica: no inverno, mantenha em local claro e sem geada, com regas moderadas.
Quem mora em regiões mais amenas também pode plantar variedades rústicas diretamente no canteiro. Nesses casos, solo permeável e proteção no inverno são indispensáveis.
Como combinar as sete espécies para formar uma faixa de floração bem longa
Para que o jardim não fique bonito só por pouco tempo, mas continue interessante por meses, vale a pena montar um plano geral de floração. Uma distribuição possível é esta:
| Mês | Espécies que costumam florescer na seleção |
|---|---|
| Junho | Lírios, gladíolos precoces, primeiras variedades de agapanto |
| Julho | Dálias, begônias, gladíolos, cannas, agapanto |
| Agosto | Dálias, cannas, crocosmia, begônias |
| Setembro/Outubro | Dálias, begônias tardias, flores remanescentes das cannas |
No canteiro, o resultado fica mais harmonioso quando espécies altas, como dálias, gladíolos e cannas, vão para o fundo. As alturas médias ficam com crocosmia e lírios, enquanto begônias e variedades menores de agapanto ocupam a frente.
Extras práticos: adubação, rega e erros que acontecem com frequência
As bulbosas de verão estão entre as moradoras mais generosas do jardim, desde que algumas regras básicas sejam respeitadas:
- Regar com moderação, mas de forma profunda: melhor poucas regas caprichadas do que um pouco todos os dias.
- Impulso nutritivo: em geral, uma aplicação de adubo orgânico ou composto na primavera já basta.
- Remover flores passadas: assim, a planta direciona mais energia para novos botões em vez de sementes.
Erros comuns incluem solo encharcado, plantio cedo demais em locais com risco de geada e espaçamento muito apertado. Quem ignora as distâncias indicadas na embalagem aumenta o risco de doenças fúngicas e crescimento fraco.
O que o jardineiro amador ainda precisa saber antes da próxima estação
Muitas bulbos e tubérculos de floração estival não são totalmente resistentes ao inverno. Em regiões mais rigorosas, por exemplo, tubérculos de dálias, cannas e algumas variedades de gladíolo saem da terra no outono e vão para caixas preenchidas com substrato levemente úmido. Guardados em local fresco, sem geada e escuro, resistem até a primavera seguinte.
Do ponto de vista do cultivo, esse pequeno esforço extra compensa: depois de compradas, a maioria dessas espécies acompanha você por muitos anos. A cada temporada, é possível dividir, replantar, testar novos contrastes de cor - e, assim, moldar passo a passo o seu jardim de verão, que já começa em março no papel e no canteiro.
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