Pular para o conteúdo

Poeira espacial foi identificada como causa da misteriosa neblina em Vênus.

Cientista em laboratório manipulando cilindro transparente com partículas douradas, telas exibindo planetas ao fundo.

Modelagem mostrou que a camada inferior da névoa venusiana se forma a partir de nanopartículas de origem meteórica

Pesquisadores da Universidade Tohoku, no Japão, em colaboração com o Instituto Real Belga de Aeronomia Espacial (IASB-BIRA), identificaram a origem da misteriosa camada inferior de névoa na atmosfera de Vênus. O estudo mostrou que essa faixa se forma a partir de poeira cósmica - minúsculas partículas minerais deixadas por meteoros que se queimam na atmosfera do planeta.

O processo de formação da névoa se revelou bastante sofisticado. Ao se desintegrarem nas camadas superiores da atmosfera venusiana, os meteoros deixam para trás nanopartículas minerais. Essas partículas, com apenas alguns nanômetros de tamanho, descem e se misturam à camada de ácido sulfúrico. Nas regiões mais quentes da atmosfera inferior, o ácido sulfúrico evapora, deixando núcleos minerais sólidos que colidem e se aglomeram, criando a camada de névoa.

As simulações realizadas pelos cientistas confirmaram dados coletados por sondas espaciais ainda na década de 1970. Essas partículas também funcionam como “sementes” para a formação de nuvens, elevando sua produção em 20–30%. Além disso, a composição metálica da poeira, especialmente o teor de ferro, pode explicar a existência do chamado “absorvedor ultravioleta desconhecido” - uma substância que absorve fortemente a luz ultravioleta e influencia o balanço energético do planeta.

O estudo também sugere que processos semelhantes podem ocorrer nas atmosferas de outros planetas, como Júpiter e Saturno, além de exoplanetas. Como se constatou, o material vindo do espaço é um componente ativo do clima planetário.

No fim da década de 2020, a missão da NASA DAVINCI (Investigação da Atmosfera Profunda de Vênus de Gases Nobres, Química e Imagem) pretende fazer descer uma sonda através da atmosfera de Vênus para analisar diretamente suas camadas. Isso dará aos cientistas a chance de verificar as previsões feitas e aprofundar a compreensão dos processos que ocorrem no planeta.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário