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A terapia CAR-T levou pela primeira vez à remissão de três doenças autoimunes em uma paciente.

Mulher em hospital segura bolsa de soro, com representação gráfica de vírus e DNA ao fundo.

Células CAR-T modificadas “reiniciaram” o sistema imunológico de uma mulher de 47 anos com doenças autoimunes

A terapia com células CAR-T, que ficou conhecida por sua eficácia no tratamento de alguns tipos de câncer, também vem mostrando resultados promissores contra doenças autoimunes. Pela primeira vez, esse tratamento ajudou a controlar ao mesmo tempo três doenças autoimunes em uma mulher de 47 anos. O caso foi descrito em um relato publicado na revista Med.

A terapia com células CAR-T consiste em modificar os linfócitos T do paciente para que eles possam atacar antígenos específicos. Em geral, essa técnica é usada no tratamento de cânceres do sangue provocados por células B malignas. No entanto, algumas doenças autoimunes também estão associadas a anticorpos produzidos por células B disfuncionais, o que torna a CAR-T uma abordagem promissora.

A paciente apresentava uma forma grave de anemia hemolítica autoimune (AIHA), síndrome antifosfolípide (APLAS) e trombocitopenia imune (ITP). Até 2025, nove tratamentos diferentes não haviam surtido efeito, e a condição da paciente passou a representar risco de morte. Os médicos então recomendaram a terapia CAR-T, direcionada ao antígeno CD19.

O tratamento eliminou as células B já existentes da paciente e os anticorpos que provocavam as doenças. A AIHA e a APLAS entraram em remissão, e o nível de hemoglobina se normalizou em 25 dias. Os sinais de ITP também diminuíram de forma significativa. Quando o organismo começou a produzir novas células B, elas eram “novas”, o que indica que o sistema imunológico foi reiniciado.

Apesar de alguns danos ao fígado e à medula óssea, que, segundo os médicos, estão relacionados aos tratamentos malsucedidos anteriores, a paciente não precisa de terapia para suas doenças autoimunes há 14 meses. Os médicos avaliam que a CAR-T pode se tornar o padrão de tratamento para casos graves de doenças autoimunes causadas por células B.

Ainda assim, permanecem desafios ligados à segurança, ao custo e à disponibilidade do tratamento. A CAR-T pode provocar efeitos adversos graves, como a tempestade de citocinas - uma reação hiperativa do sistema imunológico com risco de morte -, que não foi observada neste caso. Também é importante manter o acompanhamento dos pacientes para avaliar a eficácia de longo prazo do método.

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