Eclipse solar anular (“anel de fogo”) será visto na Antártida
Nova York (AP) - O primeiro eclipse solar do ano vai dar as caras sobre a Antártida - e apenas um grupo bem seleto terá a chance de aproveitar, ou até “caminhar rebolando”, sob esse espetáculo.
O eclipse solar anular, marcado para terça-feira e popularmente chamado de “anel de fogo”, ficará visível apenas no continente mais ao sul do planeta, onde há estações de pesquisa e uma fauna diversa.
“Os pinguins lá embaixo vão assistir a um show e tanto”, brincou o astrónomo Joe Llama, do Observatório Lowell.
Como acontece um eclipse solar e por que ele forma um anel
Os eclipses solares ocorrem quando Sol, Lua e Terra se alinham de forma muito precisa. Nessa configuração, a Lua projeta uma sombra que, vista da Terra, pode bloquear a luz solar de maneira parcial ou total.
É “essa coincidência bonita entre o tamanho e a distância da Lua e do Sol”, explicou a astrofísica Emily Rice, da Universidade da Cidade de Nova York.
No caso de um eclipse anular (em forma de anel), a Lua está, por acaso, mais distante da Terra na sua órbita. Por isso, ela não encobre completamente o Sol: sobra visível apenas uma faixa fina de luz ao redor.
“É como se o Sol tivesse o miolo ‘recortado’”, descreveu Llama.
Onde será possível ver o eclipse, além da Antártida
Com o tempo a favor e céu limpo, mais pessoas poderão ver um eclipse parcial, com pequenas “mordidas” aparentes no disco solar. Isso deve ser possível a partir das extremidades do Chile e da Argentina e também em partes do sudeste de África, incluindo Madagáscar, Lesoto e África do Sul.
Mesmo nessas áreas, a visibilidade pode variar muito de acordo com nebulosidade, neblina e condições locais do horizonte. Em regiões costeiras e frias, por exemplo, nuvens baixas podem surgir de repente e encobrir o Sol no momento mais interessante do fenómeno.
Com que frequência eclipses solares acontecem
Os eclipses solares ocorrem algumas vezes por ano, mas só podem ser observados de locais que ficam dentro do trajeto da sombra da Lua. No ano passado, aconteceram dois eclipses parciais, e o último eclipse solar total passou pela América do Norte em 2024.
Além do fascínio científico, eclipses em ambientes extremos como a Antártida chamam atenção por um detalhe curioso: a mudança rápida na luminosidade pode alterar o comportamento de algumas espécies e a rotina de bases de pesquisa, que costumam aproveitar o evento para registos fotográficos, medições e atividades educativas.
Segurança: óculos para eclipse e o que não funciona
Olhar diretamente para o Sol é perigoso, mesmo quando ele está quase todo encoberto. Por isso, é essencial usar óculos para eclipse. Eles bloqueiam a radiação ultravioleta do Sol e quase toda a luz visível. Óculos de sol comuns e binóculos não oferecem proteção suficiente.
Os óculos para eclipse devem informar conformidade com a norma ISO 12312-2 - embora fornecedores falsos também possam imprimir essa indicação nos produtos.
Como observar sem olhar para o Sol: métodos indiretos
Também dá para acompanhar um eclipse solar de forma indireta e segura:
- Monte um projetor de orifício (projetor de furo) com materiais simples de casa.
- Aponte para o céu um escorredor ou um ralador e observe no chão as pequenas imagens do eclipse projetadas pelos furinhos.
Próximo grande evento: eclipse solar total em agosto
Para quem gosta de observar o céu, já há um eclipse solar total no calendário para agosto, visível na Gronelândia, Islândia, Espanha, Rússia e em partes de Portugal. Faixas de Europa, África e América do Norte também poderão assistir a um eclipse parcial.
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