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Seguindo os passos da Voodoo, a francesa Hoora capta 1,1 milhão de euros para criar o “TikTok dos videogames”.

Jovens mostram animação ao exibirem tela colorida de app TikTok em ambiente de escritório moderno.

A startup francesa quer levar o jogo mobile para a mesma lógica que o TikTok popularizou nos vídeos: um feed infinito, imediato e viciante.

Há poucos anos, parecia improvável que alguém passasse horas deslizando a tela para ver clipes de poucos segundos. Hoje, o TikTok dita o ritmo. E se os jogos no celular adotassem exatamente esse comportamento? Essa é a aposta da Hoora, uma jovem empresa francesa que acaba de fechar uma rodada de investimento de 1,1 milhão de euros.

Hoora e o novo formato de casual gaming no jogo mobile

A Hoora quer acabar com um ritual que já ficou datado: procurar um jogo na App Store, aguardar o download, abrir e torcer para não se arrepender. No lugar disso, a proposta é uma experiência totalmente diferente: um fluxo contínuo de jogos dentro de um único aplicativo para iOS e Android, com acesso instantâneo e sem download. Você dá um swipe e já está jogando; dá outro swipe e cai em um novo título.

Hoora não é apenas um aplicativo de jogos, é um novo formato de entretenimento: o de uma geração que desliza a tela mais do que baixa apps”, sintetiza Romain Mussault, fundador e CEO da startup.

Em um mercado de jogos mobile que ultrapassa US$ 90 bilhões, o modelo centrado em download praticamente não mudou em quinze anos - e a Hoora quer ser a empresa que força essa transformação. Para Mussault, porém, o plano vai além do feed: no longo prazo, a plataforma pretende se tornar um ecossistema completo, inspirado no Spotify, no qual desenvolvedores possam publicar jogos e gerar receita.

O salto depende de execução técnica. “Nossa tecnologia nos permite entregar uma experiência compatível com o uso no celular: rápida, fluida e sem atrito”, explica Flavien Marianacci, cofundador e CTO. “Desenhámos a Hoora para que cada jogo abra na hora e mude a forma de jogar no mobile.”

Um ponto adicional (e inevitável) desse tipo de produto é a curadoria: num feed sem fim, manter variedade sem perder qualidade vira parte central da experiência. Para o usuário, a promessa é simples - “sempre há algo novo a um swipe de distância” -, mas por trás disso existe um desafio constante de seleção e renovação do catálogo para evitar repetição e fadiga.

Também há o tema da monetização: um modelo inspirado em plataformas de streaming tende a exigir equilíbrio entre experiência “sem fricção” e sustentabilidade para desenvolvedores. Para esse formato ganhar escala, o sistema de distribuição e remuneração precisa ser atrativo o suficiente para abastecer o feed com lançamentos frequentes - exatamente o que faz o Spotify funcionar como ecossistema.

Nos passos das unicórnios francesas do gaming mobile

Para entender o tamanho da ambição, vale olhar para quem já abriu caminho. O gaming mobile francês já produziu casos de sucesso que viraram referência global.

Criada em 2013, a Voodoo se consolidou como um gigante do hyper-casual. Em 2021, levantou 266 milhões de euros com a Goldman Sachs, alcançando uma valorização de 1,2 bilhão de euros. Com jogos extremamente simples e altamente viciantes (como Helix Jump e Mob Control), soma bilhões de downloads e depois ampliou sua atuação ao adquirir a rede social francesa BeReal.

Mais recentemente, a Homa Games, focada em publicação e tecnologia para desenvolvedores de jogos mobile, fechou em 2022 uma captação recorde de US$ 100 milhões, depois de já ter levantado US$ 65 milhões algum tempo antes. A empresa se posicionou como uma plataforma completa de apoio para criadores de jogos.

Diante desses pesos pesados, a Hoora conseguiu atrair um grupo de investidores alinhado à sua visão. A rodada reúne a Kima Ventures (fundo de Xavier Niel), ex-executivos de Voodoo e Ubisoft como Mathias Salanon, além de empreendedores como Nicolas Steegmann (Stupeflix), Maxime Doki-Thonon (Reech) e Jean-Guillaume Kleis (proprietário do “Presse-citron”). A Gen Z e o universo da influência também entraram no projeto: Charles Philip e Dany Graells Lehoucq (Unchained, 11 milhões de seguidores) e Johan Lelièvre, conhecido como Jojol (6 milhões de seguidores), também se juntam à iniciativa.

Segundo Romain Mussault, que divide sua base entre Metz e outras frentes de operação, o aporte serve para acelerar o desenvolvimento e estruturar a expansão: “Essa rodada nos permite ganhar velocidade e consolidar o crescimento na Europa antes de entrar no mercado americano, onde os primeiros testes já são muito promissores.” Ele acrescenta que o aplicativo já superou 100 mil downloads.

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