A empresa taiwanesa TSMC domina quase por completo o mercado de chips. Mas os novos contratos da Samsung com Apple e Tesla, além de um possível acordo com a AMD, podem mudar o equilíbrio dessa disputa.
Embora a divisão de smartphones da Samsung vá bem, o mesmo não acontece com sua fundição, a área responsável pela fabricação de semicondutores. Hoje, esse mercado é amplamente controlado pela TSMC, cujos pedidos dispararam para chips produzidos em 3 nm - uma tecnologia na qual a Samsung não conseguiu se firmar. Ainda assim, a transição para os chips de 2 nm pode abrir espaço para uma redistribuição das cartas.
A disputa nesse segmento não depende apenas da escala de produção. Em processos como o de 2 nm, desempenho, eficiência energética e estabilidade de fornecimento pesam muito na decisão dos clientes. Isso faz com que grandes empresas procurem alternativas para não ficarem dependentes de um único fabricante, especialmente em um cenário de demanda mundial elevada.
Segundo informações divulgadas, a Samsung poderia atrair mais clientes com essa tecnologia. Além disso, a forte procura global estaria levando algumas companhias a diversificar seus fornecedores. Assim, além dos contratos já relevantes com Tesla e Apple, a Samsung também poderia fabricar chips de 2 nm para a AMD. Isso é o que aponta uma publicação da TrendForce, que cita um veículo de imprensa sul-coreano. Um acordo definitivo poderia ser fechado já em janeiro de 2026, caso a proposta da Samsung atenda às exigências de desempenho da AMD.
Até o momento, essa informação não foi confirmada oficialmente. Mesmo assim, um contrato com a AMD poderia render à Samsung bilhões de dólares adicionais e reduzir a distância entre sua fundição e a TSMC, líder mundial do setor.
Apple, Tesla: Samsung avança
Vale lembrar que, neste ano, a Samsung anunciou a assinatura de um contrato de 16,5 bilhões de dólares com um importante grupo global. Mais adiante, Elon Musk oficializou a parceria da Tesla com a Samsung, que vai produzir a próxima geração de chips, AI6, usando o processo de litografia em 2 nm.
Em agosto, a Apple também anunciou um projeto com a fábrica da Samsung em Austin, no Texas, para “lançar uma nova tecnologia inovadora para a fabricação de chips, que ainda não foi usada em nenhum outro lugar do mundo”. A Apple ainda confirmou que a Samsung vai fornecer chips capazes de “otimizar” o desempenho de seus produtos, incluindo o iPhone.
Esses movimentos mostram que a fundição da Samsung vem ganhando relevância em contratos estratégicos. Na prática, isso pode fortalecer a imagem da empresa como uma opção viável para marcas que buscam inovação, capacidade técnica e uma relação mais próxima na etapa de desenvolvimento dos semicondutores.
A Samsung poderia ter vantagem sobre a TSMC
Entre o primeiro trimestre de 2024 e o segundo trimestre de 2025, a diferença entre Samsung e TSMC aumentou. No primeiro trimestre de 2024, a participação de mercado da TSMC era de 63%, segundo a Counterpoint Research, enquanto a Samsung tinha 11%. Já no segundo trimestre de 2025, a fatia da TSMC subiu para 71%, contra 8% da Samsung. É importante notar que, nesse segundo trimestre de 2025, a receita do setor avançou 33% na comparação anual, impulsionada pela inteligência artificial e pela demanda por dispositivos eletrônicos na China.
Mesmo assim, as perspectivas da Samsung vêm melhorando à medida que a empresa conquista novos contratos para seus chips de 2 nm. Além disso, de acordo com uma análise da Counterpoint Research, a fundição da Samsung pode oferecer uma vantagem importante para os clientes. “A Samsung oferece mais flexibilidade, o que atrai clientes que exigem um grau maior de envolvimento, como Elon Musk, que demonstrou interesse em supervisionar pessoalmente a produção, um nível de engajamento do cliente que é menos viável na TSMC”, explicou a empresa de análise em agosto.
Se a Samsung conseguir transformar esses contratos em produção em larga escala com bons índices de rendimento e entrega, sua posição no mercado pode ganhar força rapidamente. Nesse cenário, a corrida pelos chips de 2 nm tende a se tornar um dos principais pontos de disputa entre as maiores empresas de tecnologia do mundo.
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