Às vésperas da Copa do Mundo de 2026, a Nike queria vender a ideia de uma virada tecnológica nas camisas, puxada pela inteligência artificial. Só que os novos uniformes da marca acabaram chamando atenção por um problema bem mais básico: um defeito visível de fabricação. E, com o relógio correndo, sobra pouco espaço para qualquer correção.
Em vez de clima de celebração para os fornecedores de material esportivo, o período pré-Mundial virou dor de cabeça para a Nike. Em março, a marca do swoosh apresentou com destaque os novos uniformes de várias seleções importantes, entre elas França, Inglaterra, Estados Unidos, Canadá e Uruguai.
Mas na última Data Fifa, quando os jogadores enfim entraram em campo com as novas camisas, um detalhe saltou aos olhos de quem acompanhava: uma dobra pouco bonita na região das costuras dos ombros. O defeito, nada discreto, rapidamente tomou conta das redes.
Em algumas fotos, os atletas pareciam até usar ombreiras rígidas ou um tecido apertado demais, deformando a silhueta. Pior: os torcedores que pagaram entre 100 e 200 euros pela versão Elite também perceberam o mesmo problema. Independentemente do biotipo, o tecido arma e cria um volume artificial no ombro.
A culpa é da IA?
A Nike não demorou a se pronunciar. Em comunicado enviado ao Guardian, a empresa admitiu a falha: “Identificamos um problema menor em nossos kits, principalmente visível na costura do ombro. O desempenho não foi afetado, mas o resultado estético ficou abaixo do esperado”. Para uma marca que aposta tanto em design e inovação, o reconhecimento pesa.
E o responsável já foi apontado: a tecnologia avançada Aero-FIT. Desenvolvida especificamente para lidar com as temperaturas extremas previstas para o verão no México, nos Estados Unidos e no Canadá, a solução usa um tricotagem superprecisa pensada para dobrar a circulação de ar.
Para criar esse sistema, a Nike recorreu ao design computacional, método que incorpora inteligência artificial (IA) para ajustar cada ponto da costura conforme as áreas de calor do corpo humano. Na busca por desempenho térmico, porém, a tecnologia parece ter deixado de lado as regras tradicionais da modelagem têxtil.
Prazo muito curto
E agora, o que a Nike vai fazer? A menos de dois meses da bola rolar, o desafio é enorme. Entre os estoques já vendidos aos fãs e os milhares de camisas destinadas aos jogadores, um recall em massa ou uma nova produção completa parece praticamente inviável do ponto de vista logístico. Se a marca garante que está “trabalhando rapidamente” para corrigir o problema, o prazo segue apertadíssimo.
Esse novo tropeço ainda pesa sobre uma Copa já pressionada pelo aumento dos preços dos ingressos, vistos como abusivos por muitos torcedores, e pela política migratória dos Estados Unidos.
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