Para Nicolas Lerner, diretor da DGSE, não existe aplicativo de conversa capaz de prometer privacidade total. Mesmo quando as mensagens trafegam criptografadas, programas maliciosos podem capturá-las diretamente no smartphone antes que a proteção entre em ação.
Hoje, a criptografia de ponta a ponta virou praticamente o padrão. Quando um app adota esse recurso, as mensagens ficam indecifráveis enquanto passam pelos servidores do serviço. Assim, nem funcionários da empresa nem autoridades conseguem acessar o conteúdo nesse nível. Entre os aplicativos que já trazem criptografia de ponta a ponta por padrão estão WhatsApp e Signal. Esse tipo de proteção também está disponível nas mensagens trocadas entre celulares Android quando eles usam o protocolo RCS no lugar dos SMS.
Mesmo assim, na avaliação de Lerner, a privacidade das conversas nunca é assegurada em 100%. Em entrevista recente à France Inter, ele afirmou que “um telefone é um espião, um araponga que você carrega com você”. A ideia central, segundo ele, é que o aparelho pode ser o ponto mais frágil de toda a cadeia de proteção.
Sempre existe risco de interceptação no smartphone
O chefe da DGSE explica que nenhum aplicativo oferece garantia completa para as trocas de mensagens porque há softwares capazes de capturar o conteúdo no próprio telefone, antes do processo de criptografia. Em outras palavras, mesmo que o sistema de proteção funcione corretamente, o celular ainda pode ter brechas exploráveis.
Por isso, ao enviar mensagens, é preciso partir do princípio de que existe a possibilidade de interceptação. Dentro da DGSE, há soluções desenvolvidas internamente para diminuir esse risco. Lerner também afirmou que não usa alguns dos aplicativos de mensagens mais populares do mercado, mas reforçou que, em qualquer cenário, mantém a consciência de que pode ser monitorado.
Na prática, isso mostra que a segurança das conversas não depende apenas da criptografia usada pelo aplicativo. A proteção do próprio dispositivo - com sistema atualizado, bloqueio forte e atenção aos aplicativos instalados - continua sendo parte essencial da defesa da privacidade.
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