À bordo da cápsula Orion, os quatro astronautas da Artemis 2 estão fazendo uma viagem histórica ao redor da Lua. Mas quanto, de fato, ganham esses exploradores do limite? Talvez menos do que muita gente imaginaria.
A missão Artemis 2 está chegando ao fim com calma. Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen voltam para a Terra depois de cumprir uma marca inédita em mais de 50 anos: sobrevoar a Lua. Durante sete horas, em 6 de abril, eles passaram muito perto da superfície lunar e mostraram ao mundo imagens impressionantes. Primeiro, um pôr da Terra; depois, registros deslumbrantes de regiões lunares que nunca tinham sido observadas por olhos humanos.
Eles também acompanharam um eclipse solar total do espaço, com a Lua encobrindo o Sol por quase 54 minutos - muito acima do máximo de 7 minutos e meio observado da Terra. Foi uma experiência extraordinária, mas sem pagamento específico por isso.
Salário fixo dos astronautas da Artemis 2
Na prática, não existe bônus de missão, hora extra nem adicional de risco. Quando essa aventura histórica terminar, os astronautas norte-americanos voltarão ao salário federal habitual, limitado a cerca de 152 mil dólares por ano - algo em torno de 12,6 mil dólares por mês. Isso equivale a quase 11,75 mil euros.
Esse valor, no papel, pode soar baixo diante de uma façanha dessa dimensão: parece mais a remuneração de um gerente de nível intermediário do que uma recompensa por dar a volta na Lua. Jeremy Hansen, por sua vez, segue uma tabela canadense parecida. Em compensação, a NASA paga transporte, hospedagem e alimentação durante as viagens a trabalho, enquanto uma pequena diária de 5 dólares cobre despesas diversas.
No universo espacial, a lógica de remuneração costuma seguir regras do serviço público, e não o brilho da missão. Por isso, mesmo uma jornada tão rara pode terminar com um contracheque bem mais contido do que o imaginário popular costuma sugerir.
Ainda assim, o valor não apaga o peso da experiência nem o impacto profissional de participar de uma operação desse porte. Missões como essa também servem como laboratório para aperfeiçoar procedimentos, fortalecer a cooperação internacional e preparar a próxima geração de voos lunares tripulados.
Vale lembrar que esse salário também pode chamar a atenção de quem sonha com o setor espacial sem necessariamente entrar em órbita. Nos Estados Unidos, os engenheiros aeroespaciais ganham, em média, 135 mil dólares por ano, ou cerca de 11,25 mil dólares por mês.
Artemis 2 e o início de uma nova era da exploração lunar
A Artemis 2 abre caminho para uma nova fase da exploração lunar. A próxima missão, Artemis 3, está prevista para 2027. O objetivo é testar, em órbita terrestre baixa, os pousadores lunares Starship, da SpaceX, e Blue Moon, da Blue Origin. Será um ensaio indispensável antes do grande salto.
Depois virá a Artemis 4, em 2028, que pretende finalmente levar seres humanos à superfície da Lua, perto do polo Sul, pela primeira vez desde a Apollo 17, em 1972. Será um retorno histórico, mas ainda dependente de muitos desafios técnicos.
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