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Thomas Pesquet e a disputa europeia por uma vaga na Artemis

Astronauta com traje ESA sentado em mesa segurando modelo de foguete com base de lançamento ao fundo vista pela janela.

Thomas Pesquet avalia que, entre os astronautas europeus, ele é hoje o nome mais bem colocado para pisar no solo lunar. Mas a NASA desmantelou o projeto da estação orbital Gateway, e a Europa precisa renegociar as vagas que havia obtido no programa Artemis. Em outras palavras: nada está garantido.

Thomas Pesquet, a Lua e a Artemis

Thomas Pesquet é conhecido por falar com extrema precisão. Por isso, quando o astronauta mais popular da França disse à France Inter que “pode ser que as coisas estejam bem encaminhadas” para ele caminhar na Lua, vale a pena levar a declaração a sério. O momento também foi bem escolhido, já que a tripulação da Artemis 2 está a caminho da Terra depois de dez dias em órbita ao redor da Lua.

Pela primeira vez em mais de meio século, seres humanos acabaram de viajar ao redor da Lua. Quatro astronautas - três norte-americanos e um canadense - decolaram em 1º de abril para essa missão de teste, que abre caminho para um retorno efetivo ao solo lunar, previsto para 2028 com a Artemis 4. As imagens enviadas pela cápsula Orion percorreram o mundo. Thomas Pesquet resumiu sua reação de forma direta: “Estou completamente com inveja. O que eles parecem estar vivendo é incrível.”

O astronauta comentou especialmente uma imagem do Sol iluminando o halo atrás da Lua, descrita por ele como “uma espécie de bola preta suspensa no vazio total”.

Thomas Pesquet faz as contas

Questionado sobre as chances de realmente dar um passo na Lua, o astronauta foi bastante franco. “Há Arnaud Prost, que está na reserva, e Sophie Adenot, que está no espaço”, explicou, antes de completar:

No momento, entre as pessoas experientes, que já acumularam várias missões, provavelmente seria eu.

Aos 48 anos, Thomas Pesquet continua sendo o astronauta europeu mais experiente de sua geração. Ele já realizou dois voos de longa duração a bordo da ISS, participou de treinamentos geológicos nas ilhas Lofoten para aprender a interpretar um terreno extraterrestre e vem mantendo uma preparação intensa em algo que descreve como “um simulador que se aproxima bastante, em tamanho real, da superfície lunar”. A aventura lunar, ele diz, está sendo preparada tanto no corpo quanto na mente, enquanto tenta “entrar nas condições psicológicas que seriam as do afastamento”.

Além da preparação técnica, há também o fator político. A corrida para voltar à Lua não depende apenas da competência individual dos astronautas, mas igualmente das alianças entre agências espaciais, da definição das missões e da distribuição dos assentos. Nesse cenário, até perfis muito experientes podem ver suas chances mudarem rapidamente conforme os acordos internacionais são reescritos.

A NASA muda as regras do jogo

Até pouco tempo atrás, o plano da Agência Espacial Europeia previa três assentos europeus nas missões Artemis. “Foi anunciado que um alemão iria na missão que partiria primeiro, e que um francês e um italiano deveriam, em uma ordem ainda a definir, vir depois”, explicou Thomas Pesquet. No papel, tudo parecia organizado. Até que Washington mudou de direção.

Os Estados Unidos recentemente desmontaram a arquitetura do programa Artemis ao cancelar a Gateway, a estação em órbita lunar que serviria de base para toda a logística das futuras missões tripuladas. Foi justamente no contexto da Gateway que a ESA havia negociado a presença de seus astronautas. Sem esse acordo, o envio de astronautas europeus deixa de ser obrigatório. E a NASA não considerou necessário esclarecer se essas vagas continuarão disponíveis a bordo.

No início de abril, o diretor da ESA tentou tranquilizar o público ao afirmar que a Europa iria “negociar” com a NASA. Por trás desse discurso moderado, porém, está uma posição europeia enfraquecida dentro do programa. A margem de manobra é pequena diante de uma administração norte-americana que não demonstra intenção de conceder vantagens.

Thomas Pesquet, portanto, está certo em um aspecto: entre os candidatos franceses, ele é, de fato, o mais preparado. A verdadeira dúvida não é se ele está pronto, mas se a Europa ainda terá uma vaga quando a NASA avançar com o próximo projeto de retorno à Lua.

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